Soy Me Mata a Mi También.
Una indústria criativa de produtos y experiências que conectam design, cultura e agroecologia. 100% brasileira y consciente da América Latina.
Aqui, trabajamos como um coletivo de pessoas com voz ativa e valores em comum: paixão pela arte, respeito à terra e fuerte tendência à autoexpresión radical. Tenemos un alto nível de exigência estética y ética, que se reflete na qualidade de tudo que criamos.
Nuestro primeiro produto é o tênis Rurales. Un grito de vida da terra direto para sua vida. Feito sin bichos, com matérias-primas naturais e orgânicas, em relações y comércio justos. Design responsável, das mãos de quem planta para os pés de quem anda fora do lugar comum.
Beleza, conforto y resistência.
Seguimos trabajando juntos por aqui. Por una vida que não tenta se encaixar para caber.
Abraço, Me Mata a Mi También
O Projeto Rurales
Um tênis é uma cadeia, e é também design, cultura e música. Este aqui é feito por um coletivo latino y consciente, com paixão pela arte e respeito à terra e a quem planta nela. Látex sangrado à mão no Acre e no Mato Grosso, algodão plantado no Brasil, garrafa que não virou lixo, borracha que volta pro chão. Esta página abre a cadeia inteira — matéria por matéria, mão por mão.
Autoral
Antes de qualquer matéria-prima existe uma decisão: fazer nós mesmos o que acreditamos. Este capítulo é sobre de onde vem o desenho deste par.
Faço eu mesmo o que acredito. Design integral y pés no chão. Y no faço más que mi obligación.
Projeto autoral é criação original: nasce da identidade e da sensibilidade de quem cria. Não é releitura de tendência nem molde repetido até virar padrão — é um ponto de vista. E ponto de vista tem autor.
Aqui isso é método, não enfeite: cada peça deste par tem nome, origem e motivo. Quem tira um modelo pronto da prateleira não precisa explicar nada.
Ninguém aqui inventou nada sozinho. A gente aprendeu com quem veio antes — e boa parte da lição chegou em três acordes, no fim dos anos 70 e no começo dos 80:
Música · som cru, gravado de primeira, sem molde · o vinil inteiro: ouvir, ler a capa, emprestar para o amigo · o analógico como jeito de estar junto
Invenção · instrumentos feitos de chaleira, de bule e do que tiver na cozinha, anos 70
Palco · pena, maquiagem e escândalo na TV, 1973 · aparecer inteiro antes de pedirem licença
Rua · um porão na Bowery cantando casa vazia e gente vazia, 1977 · o mesmo barulho virando garagem em São Paulo, no começo dos 80
Noite · uma casa escura no ABC paulista, som alto e pouca luz · gente que se reconhecia pela roupa antes de falar
Chão · uma pista improvisada e um tênis remendado com silver tape, para durar mais um verão
Palavra · uma folha de papel que virou desenho, São Paulo, anos 80 · a poesia como jeito de olhar para gente
Cinema · Madri saindo do cinza em cor saturada, 1980 · liberdade recém-aprendida virando festa
Recusa · o punk vegano de agora, de pé contra a máquina que mói gente e chama isso de escala
Raiz · o sotaque, o feito à mão, o que é de um lugar só e não precisa de tradução
Terra · um acampamento à beira da estrada, 1984 · uma cooperativa em Feijó, hoje
Não piso onde esperam. Consciência não pede permissão.
E com quem planta junto e divide o resultado, com quem trata o solo como organismo vivo. É dessa gente que vem a primeira peça deste par.
Sustentabilidade, para nós, é a soma disso: repertório, mão e terra no mesmo par. Não é selo no fim da linha, é o começo da conversa. O resto desta página é a prova — um par que a gente tem orgulho de assinar.
Soy un camino sin volta. Autoral. Agroecológico. Justo. Sin bichos na fórmula.
Agroecológico e justo
O látex vem da Amazônia e do Mato Grosso, extraído de forma artesanal, com respeito às seringueiras e às comunidades locais. A árvore não é derrubada: ela é sangrada, cicatriza e volta a produzir. É extrativismo que só funciona se a floresta continuar de pé.
A lateral do seu tênis é a única peça do par que chega pronta da floresta. Chama-se FSA, Folha Semi-Artefato: uma manta de borracha 100% natural, com cor e textura feitas à mão, folha por folha. Nenhuma sai igual à outra.
Quem produz são dois coletivos, e nos dois as mesmas mãos que sangram a seringueira confeccionam a manta. Em Feijó, no Acre, às margens do rio Envira, a cooperativa reúne as famílias que tiram o látex — para a maior parte dos seringais, o caminho até a cidade é o rio, não a estrada. Em Ouro Branco do Sul, no município de Itiquira, no Mato Grosso, é uma associação de mulheres seringueiras e artesãs. Os dois preservam saberes tradicionais e fortalecem o trabalho feminino numa prática regenerativa.
Os dois grupos se formaram a partir de oficinas com mulheres e jovens extrativistas, sob orientação da designer e pesquisadora Dra. Flavia Amadeu — no Mato Grosso, com apoio do Programa REM-MT. Não é curso de material: começa na árvore, em como sangrar e como cuidar do látex, e vai até o fim da cadeia — produzir a manta, dar acabamento, formar preço, encontrar comprador. Flavia volta às comunidades pelo menos uma vez por ano.
A técnica do FSA nasceu no Laboratório de Tecnologia Química da Universidade de Brasília, em parceria com Flavia Amadeu — que levou o material da bancada para as comunidades da Amazônia Legal e, de lá, para o design, a moda e a arte. Processo, insumo, acabamento, cor, pigmento e controle de odor foram pensados juntos, não um de cada vez.
Os dois territórios são de látex há gerações, e em nenhum dos dois isso está garantido. Em Itiquira, a seringueira disputa espaço com soja e milho: onde a monocultura avança, a árvore sai. No Acre, a conta é a mesma com outros nomes: a floresta só se sustenta se o que sai dela valer mais do que ela derrubada.
O preço não vem pronto. A cada encomenda, a cooperativa, a Flavia e a gente especificamos a produção juntos — quantas peças, em quanto tempo, quanto o trabalho precisa valer para quem está na ponta. E a compra nunca é feita direto do produtor: passa sempre pela cooperativa, que recolhe o imposto, organiza a logística e divide o pagamento conforme quem trabalhou. É mais devagar e custa mais caro. É também a única forma de o dinheiro chegar onde deveria.
Comprar essa lateral é o que separa a floresta em pé de mais uma linha de plantio.
A floresta em pé vale mais do que a floresta no chão.

O corte é raso: atravessa a casca, não o lenho.


Ouro Branco do Sul, Itiquira (MT) — produção do FSA, da prensa ao varal.
Não piso onde esperam
Cadarço e forro são 100% algodão brasileiro BCI — matéria-prima natural, plantada e produzida no Brasil. O forro oferece conforto térmico, alta respirabilidade, absorção de umidade e é hipoalergênico.
BCI é o nome antigo da Better Cotton, o maior programa de algodão sustentável do mundo: 2,2 milhões de produtores licenciados, cerca de 20% do algodão do planeta. A licença sai depois de avaliação em pesticidas, solo, água, clima e condições de trabalho.
O corpo do tênis é lona de algodão reciclada, tecida em Franca (SP): fibra que já teve uma vida antes de virar tênis. São 20% de aparas do próprio fio reaproveitadas na fiação, resíduo de produção que volta para a linha antes de virar lixo.
O fio do cadarço e do forro vem de Alfenas, no sul de Minas Gerais, e é tecido numa fábrica que fia, tece, tinge e acaba sob o mesmo teto e trata o próprio efluente antes de devolver a água. Quem faz, e em que condição, está no capítulo 05.
Algodão que não precisou atravessar o oceano.
Soy nada más que o óbvio
Boa parte do tênis é feita do que o mundo já jogou fora. A cada 1 kg de lona utilizada, o reaproveitamento equivale a 8 garrafas PET e a 0,5 kg de resíduos têxteis que não foram descartados na natureza.
Solado, revirão e biqueira saem da mesma borracha, e 30% dessa composição é pó de pneu triturado: resíduo que entra de volta na cadeia produtiva em vez de virar passivo ambiental.
Resíduo não é fim de linha. É matéria-prima com nome errado.
Feito Sin Bichos, com matérias-primas naturais e orgânicas
A ficha técnica inteira, sem asterisco. Cada peça do tênis, o que ela é e do que ela é feita.
Borracha natural
Solado + revirão + biqueira
Solado, revirão e biqueira saem da mesma borracha; o que muda é o jeito de fazer. O solado é prensado em molde a 300 graus. O revirão, tira que contorna o par e sela a lona no solado, e a biqueira saem extrudados e entram crus: o tênis inteiro vai para a autoclave e fica 110 graus por 75 minutos, até a borracha vulcanizar em volta dele. Não é uma peça colada na outra, é uma peça que vira a mesma coisa que a outra. A base é látex da seringueira, Hevea brasiliensis, um recurso que se regenera: o polímero é o cis-1,4-poliisopreno, e ele é 40% da composição. O resto é o que faz um solado durar: pó de pneu reaproveitado, cargas, plastificantes, sistema de proteção contra calor e ozônio e o sistema de vulcanização.
FSA · Folha semi-artefato
Lateral
Manta de borracha natural produzida por dois coletivos de produtores extrativistas e artesãos: a cooperativa de Feijó, no Acre, e a associação de mulheres seringueiras e artesãs de Ouro Branco do Sul, em Itiquira (MT). A técnica foi desenvolvida no Laboratório de Tecnologia Química da Universidade de Brasília em parceria com a Dra. Flavia Amadeu, e considera processo, insumo, acabamento, cor, pigmento e controle de odor como uma coisa só. Cada manta é prensada e seca à mão — não existem duas iguais.
Tecido
Corpo do tênis
Lona de algodão reciclada de alta qualidade. Equivale ao reaproveitamento de 8 garrafas PET e à redução de 0,5 kg de resíduos têxteis descartados na natureza a cada 1 kg de tecido utilizado nos tênis.
Espuma
Amortecimento
Poliuretano com bio-óleo, um poliol de origem vegetal e não fóssil, reforçado com borracha micronizada de pneus descartados. Parte da espuma vem de plantação, parte vem de descarte: resíduo que iria para o solo e a água volta como amortecimento. Produzida no interior de São Paulo, em fábrica com certificação Origem Sustentável.
Palmilha
Resistente e biodegradável
Produzida com borracha biodegradável, resistente ao peso e com memória de pisada para maior conforto. Formulação atóxica, não poluente, com princípios ativos bactericidas da flora brasileira.
Cadarço
Cadarço chato de algodão BCI, do mesmo fio do forro — fio de Alfenas, no sul de Minas Gerais. No Rurales cru, o cadarço é cru mesmo: sai do tear e vai direto para o par, sem tinturaria e sem corante. No marinho, é tingido. É a peça que mais se gasta no par, e a única que você troca sem levar o tênis a lugar nenhum.
Forro
O mesmo fio do cadarço, forrando toda a parte interna do tênis. Diferente de um forro sintético, o algodão absorve a umidade em vez de repeli-la: a transpiração entra na fibra em vez de ficar parada entre a pele e o material. É daí que vêm o conforto térmico e a sensação de seco. E é hipoalergênico — algodão puro, sem mistura, em contato com a pele o dia inteiro.
100% Brasileiro Y Consciente da América Latina
Cada cruz é um lugar por onde este par passou antes de chegar em você.
- 01FEIJÓ / AC
látex e manta de FSA - 02OURO BRANCO DO SUL
Itiquira / MT — látex e manta de FSA - 03BRASÍLIA / DF
pesquisa — a técnica do FSA (UnB) - 04ALFENAS / MG
fio de algodão - 05CLARAVAL / MG
tecelagem do cadarço e do forro - 06RIBEIRÃO PRETO / SP
espuma de amortecimento - 07FRANCA / SP
lona, borracha e montagem do par - 08SÃO PAULO / SP
criação, design e direção
Feito por mãos que se importam
Material bom montado em condição ruim não é projeto — é marketing. Este capítulo segue as mãos deste par na ordem em que elas aparecem: da seringueira à autoclave.
A primeira está na floresta. A lateral do tênis é feita de FSA, a manta de látex que sai da árvore e vira material — e sai das mesmas mãos que sangram a seringueira: os seringueiros da cooperativa de Feijó, no Acre, e as mulheres seringueiras e artesãs da associação de Ouro Branco do Sul, em Itiquira, no Mato Grosso.
Nem toda mão que faz este par cabe numa auditoria.
Ali não existe selo, auditor nem relatório publicado. A garantia é o desenho do negócio: a cada encomenda, produção e preço são definidos em conjunto — a cooperativa, a pesquisadora que formou os grupos e a gente. Ninguém chega com preço pronto na mesa.
A compra passa sempre pela cooperativa. É ela que recolhe imposto, organiza a logística e divide o pagamento conforme quem trabalhou. Comprar direto de um produtor pareceria mais simples e desmontaria o coletivo — por isso não fazemos.
Não é apoio a comunidade, é contrato: quem extrai e transforma senta na mesa em que o preço é feito, e a estrutura que recebe por esse trabalho existia antes da gente e continua depois.
A segunda mão está em Minas. O fio de algodão do cadarço e do forro vem de Alfenas, no sul do estado, e é tecido numa fábrica do interior: 253 pessoas numa cidade de 4.600 habitantes, perto de um em cada dez moradores.
É a única peça deste tênis cujo fornecedor publica quanto paga a homens e a mulheres. A cada seis meses sai um relatório de transparência salarial.
Salário mediano das mulheres: 84,6% do dos homens. No chão de fábrica, onde o teu cadarço é feito, 81,4%. Entre profissionais de nível superior, 101,6% — elas ganham mais.
Não é um bom número. É um número publicado, e quase ninguém publica. Seis meses antes era 83,3% e 75,7%: está fechando, devagar. Publicamos os dois porque o segundo sem o primeiro seria propaganda.
A mesma fábrica faz tudo sob o mesmo teto — fia, tece, tinge e acaba — e trata o efluente do tingimento dentro da planta, que é onde um cadarço costuma sujar um rio. Energia eólica no mercado livre, 75% do resíduo de volta para a cadeia.
A terceira mão está em Franca, São Paulo, a cidade que faz calçado no Brasil há mais de um século. A confecção que monta para nós opera desde 2000, com matriz lá e uma segunda unidade em Santa Catarina. São 155 pessoas trabalhando no nosso par — são tantas porque quase tudo aqui ainda é feito à mão.
O que exigimos ali é o que a lei já manda: vínculo formal, saúde e segurança, nenhuma forma de trabalho infantil ou análogo ao escravo. Parece pouco. Neste setor, não é.
E quem confere não somos nós. A fábrica declara o selo ABVTEX no nível Ouro, o mais alto da escala, e uma vez por ano um certificador independente entra ali — e nos fornecedores dela — para verificar exatamente esses pontos.
Publica também uma política de direitos humanos e um pacote ambiental: energia solar, reuso de água, reciclagem de resíduos, controle de emissões. São declarações da fábrica, não medições nossas, e ficam aqui com esse carimbo.
Não é cola que segura este par. É vulcanização.
É a última coisa que essas mãos fazem. O par sai da linha ainda cru: revirão e biqueira entram moles, extrudados em volta da lona; o solado chega prensado a 300 graus.
Aí o tênis inteiro vai para a autoclave — uma panela de pressão industrial, 110 graus, 75 minutos. É nesse tempo que as cadeias da borracha se ligam umas às outras: a peça deixa de ser massa e vira estrutura, elástica, resistente ao calor, presa ao tênis por reação química, não por adesivo.
Quem faz também é matéria-prima da conversa.

Ouro Branco do Sul, Itiquira (MT) — as mãos que fazem a manta.


Franca (SP) — o galpão e a bancada onde o par é montado.
Y no faço más que mi obligación.
O tênis mais sustentável é o que dura. Depois disso, o que importa é para onde ele vai: o algodão volta pro chão, a palmilha de látex também. A sola vulcanizada não: o que a faz durar é o mesmo que a faz ficar.
Durar não é promessa, é construção. O solado vulcanizado é uma peça só: a borracha dobra junto com o pé sem descolar, agarra no chão e desgasta devagar, porque o que prende a sola à lona não é uma linha de cola que envelhece, é uma ligação química feita a calor. Por isso esse tipo de tênis atravessa décadas de rua, skate e chuva sem se desmontar: quando ele acaba, acaba pelo uso, não pela montagem.
Feito pra durar. E, quando acabar, feito pra sumir.
O que ainda não revolvemos. Y así puedo viver até que isso deixe de parecer
una grande revolución.
Nenhum tênis é neutro. Existe cola, existe transporte, existe embalagem, existe energia. Publicar só a parte bonita é o mesmo greenwashing que a gente critica — então este capítulo fica aberto e vai sendo atualizado.
A vulcanização é o que faz o par durar, e é também o que dificulta reciclar essa borracha depois: ligada assim, ela não derrete de volta para virar outra peça. Biodegradar, biodegrada. Reciclar é outra conversa.
A cola é à base de água e sem tolueno. E a maior distância que um insumo percorre é a da folha semi-artefato da lateral: do Acre até Franca.
Preferimos o problema publicado ao problema escondido.
- A embalagem de envio é plástico: polietileno de baixa densidade (PEBD) — estamos fazendo conta para trocar sem perder competitividade
- A caixa de embarque é 60% reciclada, não 100%
- Procuramos embalagens mais sustentáveis que aguentem o embarque
- Ainda não medimos a emissão do transporte — estamos estudando empresas e processos de medição
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